QUEM SOMOS

A TERRA DOS QUADRINHOS PERDIDOS 

“Como se fosse a última noite antes de uma viagem longa, muito longa. O bilhete está guardado no bolso e finalmente as malas estão prontas. E a gente pode sentar e ficar sentindo a proximidade de terras distantes…”

-John  Ajvide Lindqvist, em  MORTOS ENTRE VIVOS

É mesmo uma viagem longa, difícil e acidentada. Um caminho no qual você engatinha, rasteja, corre, retrocede e, muitas vezes, se perde. Tudo numa folha em branco, todas as vezes a partir de um zero absoluto, escancarado diante de seus olhos, de um vazio que você insiste em preencher.

O que você encontrará aqui são os espaços que preenchi, com quadrinhos, ilustrações e esboços. Muita coisa foi produzida apenas por mim. Outras, com a ajuda do talento de artistas que seguem, à sua própria maneira, no mesmo caminho até essa terra sombria e vasta, onde os fantasmas de cada um têm seu lugar, grande ou pequeno. Brincando livres de nossa vida breve , nos convidando a partilhar dos sonhos que deixamos escapar e que eles guardam consigo até que possamos reencontrá-los mais uma vez.

Assim dito, seja bem-vindo! Não dá para saber qual será  a recepção a um trabalho, quando ele é apresentado às pessoas, mas espero que você encontre algo de que goste. Afinal, a verdade é que nenhum artista produz apenas para si mesmo, por mais que alguns sustentem essa pose.

Eduardo Cardenas

EDUARDO CARDENAS

Vim à luz desse mundo na ensolarada e fedida Aracaju, em 28 de setembro de 1972, terceiro entre os seis filhos de uma pedagoga e um caminhoneiro de pouco juízo. Não houve sinais no céu, nem suadeira em cavalos, leite azedando ou estigmas sangrando pelos buracos dos sensitivos. Só o mesmo eterno calor de verão pegajoso que simplesmente não passou até hoje. Reza a crônica familiar que meu pai ficou bêbado comemorando, fez outro filho naquela noite numa indigente que pedia por qualquer coisa na calçada da sorveteria Yara e ainda levou madeira da PM depois de estacionar o caminhão no portão do quartel, buzinando e mandando encher o tanque. Apesar de tudo, ele estava feliz, pois pressentia que eu seria o primeiro “dotô” da família (coitado!).

Durante a infância, fatos capitais que marcariam minha formação: Surras por fazer sacanagens com vizinhas, surras por desenhar durante as aulas, surras para não perder o costume de levar surra. Contraio catapora e ganho um Batmóvel e modelos revell (zeros e stukas que nunca consegui montar direito). Viajo pelo interior com meu pai e conheço um Brasil que muita gente não conhece porque é uma merda inútil mesmo. Descoberta do quadrinho nacional com Jackal nº1 (Grafipar), de Mozart Couto. Primeira paixão frustrada (por Katy Apache, na mesma edição, e a partir daí uma vida inteira desperdiçada em amores por garotas de formas renascentistas e arianas). Decido que quero ser quadrinista e em 1982, primeiro trabalho profissional: Pirateio o Tutubarão para o curso de natação da escola.

Atravesso a adolescência arrasado por culpa católica, muita punheta e dúvidas sobre a necessidade de engajamento sócio-cultural-político das HQs. Perco a virgindade por uma mixaria e encho resmas de chamex com imitações fuleiras de Watson, Enrique Breccia, Paul Gulacy, Michael Golden e Enki Bilal. Publico algumas HQs na D-Arte de Rodolfo Zalla e uma apenas na ICEA/Campinas. Bebo muito, vivo chapado, cago em tudo e me enterro nos anos 90 numa dimensão sensorial paralela, me queimando com editores, clientes e colegas de trabalho. Acho que a vida é uma piada de mau-gosto, que Deus é um merda sádico e eu, um merda masoquista.

Atualmente, vou sobrevivendo. Trabalho com Marketing político, publicidade, cartilhas institucionais e ilustrações diversas, como as produzidas para o livro “A Libertação de Valkaria” da talismã. Trabalho ainda com Story-Boards, redação publicitária e política e praticamente tudo relacionado à área de criação. A vida continua uma piada, Deus ainda é o mesmo merda sádico – apesar de não existir mais – e eu também ainda sou um merda, para não ser injusto com as partes citadas.

Brincadeiras a parte, acho que pratico o melhor oficio do mundo. Fico feliz pelo quadrinho ainda não ter sido totalmente domesticado, como outras formas de arte (apesar de muitas tentativas dentro do próprio meio) e que, com ou sem respaldo financeiro, respeito ou grandes realizações, a gente existe e produz – o que já é muito, num país tão escroto e filho-da-puta – e continuamos a tentar fazer a coisa do nosso jeito.  É isso aí. Inglaterra Triunfa, o Trabalho Liberta (assim escrito nos portões de Auschiwitz), o carnaval de antigamente é que era bom e essas porras. Um abraço, alô e adeus.”

Eduardo Cardenas

DIVISÃO BRASILEIRA DE ARTES – DB ARTES

DB-ARTES

O estúdio Divisão Brasileira de Artes foi fundado em 27 de novembro de 1994, em Aracaju/SE, por Anderson Santos e Ivan França com o objetivo inicial de produzir quadrinhos com os amigos. Com o passar dos anos, o estúdio DB Artes, como também é conhecido, tornou-se o projeto que mais tem valorizado a Arte Sequencial em Sergipe, agrupando quadrinistas profissionais e amadores, estimulando o crescimento e a divulgação desta arte através exposições, publicações, fóruns, prêmios, sites e eventos.

Um maior destaque é dado ao HQ Festival – Festival de Quadrinhos de Sergipe – que, com seis edições realizadas,  inseriu o estado no mercado nacional de histórias em quadrinhos e foi indicado aos prêmios HQ Mix e Angelo Agostini. O evento já expôs mais de 1.000 (mil) obras de autores brasileiros, revelou para o grande público vários artistas locais e trouxe a Aracaju dezenas de quadrinistas, além de produtores de cinema e games.

Atualmente o estúdio DB Artes está à frente da produção do site Lost Comics  A Terra dos Quadrinhos Perdidos, com os trabalhos do quadrinista e ilustrador Eduardo Cardenas.

Contatos:

E-mail: contato@lostcomics.com.br

HQ Festival

Site: www.hqfestival.com.br

Twitter: @hqfestival.com.br

Facebook: facebook.com/hqfestival

EXPEDIENTE

Lost Comics – A Terra dos Quadrinhos Perdidos é uma produção do estúdio Divisão Brasileira de Artes.

>> Quadrinhos, textos, ilustrações, diagramação, colorização: Eduardo Cardenas

>> Editor: Anderson Santos

Colaboradores:

>> Apoio Editorial: Estúdio R2  e Tayara Chagas “Tay”

>> Colorização Digital: Patricia Karin, Letícia Carvalho, Walmir Oliveira, Thiago Neumann, Gabriel Araújo, Michele Menezes, Marcio Oicram, Adelson Tavares e Raphael Borges “Mingau”.

Todas as obras aqui apresentadas possuem direitos autorais reservados.

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